Reflexões sobre a Vida e a Morte: Memento Mori em Grapplearts

Reflexões sobre a Vida e a Morte: Memento Mori em Grapplearts

Luto e Reflexão: A Morte de Fritz Kesting e o Legado da Memória

No último mês, a notícia da morte de Fritz Kesting chocou muitos, em especial aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo. À distância de três mil quilômetros, seu filho, Stephan Kesting, recebeu a notícia que já sabia ser inevitável, mas ainda assim devastadora. “Stephan… sinto muito, mas… seu pai morreu há alguns minutos”, foi o telefonema que ecoou em sua mente, trazendo à tona não apenas a dor da perda, mas também uma série de reflexões profundas sobre a vida e a morte.

Fritz Kesting havia sido diagnosticado com Alzheimer, uma doença neurodegenerativa que não apenas afeta a memória, mas também a capacidade de pensar e de se envolver com o mundo à sua volta. Nos momentos que antecederam sua morte, Stephan havia estado ao lado de seu pai numa visita, ajudando-o a lidar com sua condição. Em seus últimos dias, Fritz recebeu cuidados paliativos, e após uma luta silenciosa, encontrou alívio através da medicação.

O impacto da morte de um pai é inegável, e Stephan se viu questionando suas escolhas. “Espero ter tomado a decisão certa”, ponderou, referindo-se ao tempo que passou ao lado do pai, garantindo que ele estivesse confortável e cercado de amor em vez de permanecer rigidamente ao seu lado durante os momentos finais. O Alzheimer, ele refletia, é realmente uma cruel travessura da vida, mas ao mesmo tempo, isso lhe trouxe um sentimento de gratidão.

Fritz não era apenas um homem doente; ele era um sobrevivente, tendo vivido as consequências da Alemanha devastada durante e após a Segunda Guerra Mundial. A emigração para um novo mundo simbolizava uma oportunidade de recomeçar, e, ironicamente, seu estado mental debilitado o protegeu da angustiante realidade que o mundo moderno frequentemente apresenta. O fascismo ressurgente, que atormenta a sociedade contemporânea, tornou-se apenas um eco distante para ele, que viu o impacto real do ódio e da intolerância em sua juventude.

Stephan, ao refletir sobre a perda, foi levado a um estado de profunda melancolia, mas também a uma oportunidade de enxergar a vida de uma maneira nova. Aprender sobre a morte e o luto é, de certa forma, um dos presentes que aqueles que nos deixam nos oferecem, um lembrete vulgar, mas necessário, de nossa própria mortalidade. “Memento Mori” – a frase em latim que significa “lembre-se de que você vai morrer” – ressoou em sua mente, lembrando-lhe da fragilidade da vida e da importância de aproveitar cada momento.

Esse conceito tem raízes antiguas, sendo encontrado em diversas tradições, desde o Judaísmo até o Cristianismo e muitos sistemas de crenças pagãs. Para Stephan, um dos momentos mais impactantes de sua vida aconteceu em dezembro de 2025, quando teve a oportunidade de visitar a Capela dos Ossos, em Évora, Portugal. Essa capela, construída por monges franciscanos no final do século XVI, utiliza os ossos de cinco mil corpos humanos como parte de sua estrutura. Os monges construíram este espaço não apenas para aterrorizar, mas para provocar a reflexão sobre a mortalidade e o significado da vida. Essa experiência ofereceu-lhe uma nova perspectiva sobre o luto e a fragilidade da existência humana.

Ao entrar na capela, Stephan foi confrontado com um espaço cuja decoração é literalmente constituída de ossos. As paredes, feitas a partir de fêmures, crânios e outros ossos, não só simbolizam a transitoriedade da vida, mas também lembram aos vivos das consequências de suas ações. Para os monges, a capela servia como um local de meditação e contemplação sobre as virtudes e pecados da vida, uma forma de estimular uma vivência moral e consciente.

Stephan encontrou-se refletindo sobre como o legado de seu pai e essa estrutura monumental faziam eco de lições que transcendiam os séculos. Ele se permitiu reconsiderar a ideia de que a morte é algo a ser temido, ao invés de um lembrete vivo da importância de viver com intenção e propósito. As reflexões sobre a morte se transformaram em uma celebração da vida, incentivando uma visão otimista sobre o tempo limitado que todos nós temos.

“Esteja você olhando para paredes construídas com ossos, um estóico romano ou ponderando sobre a morte de seu próprio pai, aproveite essa energia e use-a para apreciar melhor os dias que lhe restam”, ele escreve, instigando os outros a não se deixarem levar pelo desespero, mas a encontrarem força e coragem na fragilidade da vida. A própria morte, ele conclui, não deve ser encarada como uma derrota, mas como um componente essencial do ciclo existencial e do crescimento pessoal.

Cada dia é uma chance nova para transformar nossas vidas e impactar positivamente a vida dos outros. Muitas vezes, a pressa e as distrações do cotidiano nos impedem de parar e refletir sobre o que é verdadeiramente importante. Com a morte de Fritz, Stephan Kesting busca encontrar um novo propósito e uma nova energia para aproveitar cada momento que lhe é dado.

Ele convoca todos nós a vivermos com a consciência da morte. A urgência de fazer cada dia contar se torna um mantra. E, assim, em meio à dor e à tristeza, surge uma forma de alívio e um desejo de honrar a memória não apenas de Fritz, mas de todos os que partiram. Com a aceitação vem a liberdade, e com a reflexão, uma renovada apreciação pela vida.

"Comece agora e não pare", ele exorta, lembrando que cada pequeno gesto de bondade, cada interação humana significativa, pode deixar uma marca indelével neste mundo. Em última análise, a morte pode apenas ser um final, mas viver plenamente é verdadeiramente o que traz significado à jornada. Assim, neste momento de perda, Stephan Kesting se ergue, não apenas como um filho em luto, mas como um defensor da celebração da vida, mesmo em suas partes mais sombrias.

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