Lutador revela ter usado LSD durante luta no UFC: “Sentia-me vazio”

Lutador revela ter usado LSD durante luta no UFC: “Sentia-me vazio”

A Polêmica Aventura de Blake Bilder: LSD e o Octógono do UFC 289

No universo das artes marciais, cada luta é um teste de resistência física e mental. Para um lutador profissional, entrar no octógono é uma batalha não apenas contra o oponente, mas também contra desafios internos e externos que podem influenciar seu desempenho. Recentemente, a história de Blake Bilder, um ex-lutador da categoria peso pena, ganhou destaque ao revelar uma experiência inusitada – e arriscada – com substâncias alucinógenas antes de sua luta no UFC 289.

O Ex-Jogador e Seus Desafios

Blake Bilder, que competiu quatro vezes no octógono, é um nome que pode ser desconhecido para o público em geral, mas sua experiência em uma luta específica fez com que sua jornada se tornasse um assunto de ampla discussão e controvérsia. Sua decisão de experimentar o LSD, um poderoso alucinógeno, antes de um combate em um dos maiores eventos de MMA do mundo, levanta questões sobre segurança, ética e saúde mental no esporte.

A Pressão de uma Luta

A luta no UFC representa a culminação de um longo processo de preparação, que envolve meses de treinamento intenso e sacrifícios significativos. Enquanto muitos lutadores recorrem a métodos tradicionais para melhorar seu foco e resistência, Bilder buscou uma alternativa menos convencional. Durante suas sessões de treino, ele começou a experimentar pequenas doses de psilocibina, conhecida popularmente como "cogumelos mágicos". O halucinógeno pareceu resultar em experiências positivas, levando-o a considerar uma abordagem ainda mais intensa para a sua luta.

“Um amigo estava fazendo a forma mais cristalizada de psilocibina que você pode fazer, e ele era como um cientista maluco, então estava fazendo LSD também”, revelou Bilder em uma entrevista ao programa "Rise Above" com Kevin Lanning. Ele explicou que a ideia de usar LSD surgiu após ter uma experiência positiva com os cogumelos durante o treino. Movido pela curiosidade e pelo desejo de explorar os limites de sua mente e corpo, Bilder decidiu que o alucinógeno poderia funcionar ainda melhor em momentos de alta pressão.

A Travessia da Fronteira e a Aumento do Contexto

Antes de sua luta contra Kyle Nelson, em junho de 2023, Bilder cometeu um crime que poderia ter consequências sérias: contrabandeou LSD pela fronteira do Canadá. Vários fatores trouxeram à tona considerações sobre o que seria a ingestão dessa substância em um evento esportivo de grande visibilidade. O evento estava programado para ocorrer em Vancouver, e para muitos lutadores, essa experiência seria simplesmente uma forma de lidar com a pressão antes de um grande desafio.

Na véspera da luta, Bilder tomou uma dose do LSD, crendo que uma microdose poderia proporcionar um impulso mental e emocional. No entanto, ao momento da luta, ele cometeu um erro significativo: tomou uma quantidade muito maior do que planejara. O resultado foi uma experiência intensa que o deixou emocionalmente desorientado antes mesmo de entrar no octógono.

O Impacto da Decisão na Luta

No dia da luta, a situação se intensificou para Bilder. Ele se encontrou com a equipe do UFC, tentando ocultar a dilatação de suas pupilas com óculos escuros. A ansiedade e o paranoia começaram a tomar conta dele: “Eu simplesmente senti que todo mundo estava olhando para mim. E então eu perdi e todo mundo estava falando merda na internet. ‘Maldito idiota! Palhaço!’”, desabafou. Essas foram as percepções distorcidas geradas pelo efeito do LSD, que raramente combina com a estrutura e a disciplina exigidas em um evento como o UFC.

Ainda assim, Bilder não estava completamente preparado para o que estava por vir. Durante sua luta, que terminou em uma derrota por decisão, ficou evidente que o lutador estava lutando não apenas contra seu oponente, mas também contra sua própria mente. O uso imprudente de substâncias alucinatórias transformou a luta em um verdadeiro teste de resistência mental. Para aqueles que assistiram à luta, ficou claro que Bilder não estava em sua melhor forma.

As Consequências Pós-Luta

Após essa experiência tumultuada, Bilder não voltou a usar LSD. Sua derrota para Nelson não apenas resultou na perda de um combate importante, mas também fez com que ele se questionasse sobre suas práticas e escolhas pessoais. A pressão da luta e as críticas pesadas nas redes sociais trouxeram à tona um ponto de reflexão sobre como os atletas lidam com a saúde mental e os desafios que surgem dentro e fora do octógono.

Ainda em busca de reconstruir sua carreira, o lutador enfrentou mais desafios. Em fevereiro de 2024, Bilder foi dispensado do UFC após uma nova derrota por decisão, desta vez contra Jeong Yeong Lee. Desde então, ele não se apresentou novamente em competições, um silenciamento que levanta questões sobre o impacto psicológico e emocional que o esporte de alto nível pode ter sobre os atletas.

O Que Está em Jogo?

A história de Blake Bilder é um lembrete poderoso de como as pressões associadas ao mundo das artes marciais podem influenciar decisões potencialmente perigosas e irresponsáveis. O MMA é um esporte de alta intensidade e os lutadores muitas vezes enfrentam uma pressão intensa para performar e superar suas limitações. A busca por métodos alternativos para lidar com a ansiedade é uma questão presente entre muitos atletas, mas os resultados muitas vezes podem ter repercussões desastrosas, como foi o caso de Bilder.

O uso de substâncias controladas no esporte é um tema amplamente debatido, especialmente no que diz respeito à ética e à responsabilidade. As políticas de antidoping da UFC e outras organizações esportivas estão causando reações mistas entre os atletas que buscam maneiras de aprimorar seu desempenho. A questão que persiste é até que ponto os lutadores devem ir na busca pelo sucesso e quais são os limites que não devem ultrapassar.

Conclusão

O caminho de Blake Bilder serve como um alerta sobre os perigos que podem surgir na interseção entre saúde mental, desempenho atlético e uso de substâncias. Sua experiência no UFC 289 não é apenas o relato de um lutador em busca de autoexploração; é uma reflexão sobre as pressões enfrentadas por muitos atletas que tentam equilibrar suas vidas pessoais e profissionais em um esporte amplamente competitivo. Para Bilder, o octógono não foi apenas um local de competição, mas também de autodescoberta, aprendizado e, infelizmente, auto-sabotagem. A jornada de luta pode ter chegado a um ponto de inflexão para ele, mas sua história traz um debate relevante para o mundo das artes marciais e além: qual é o verdadeiro custo da vitória?

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