Laura Mallen é Destaque Entre Viajantes do BJJ Globetrotters

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Jiu-Jitsu, Viagens e Resiliência: A Jornada de um Praticante Estoniano

No vibrante mundo do Jiu-Jitsu, existem histórias que vão além das lutas nos tatames. Histórias que falam sobre resiliência, amizade e a busca incessante por superação. Esta é a narrativa de um praticante de Jiu-Jitsu de 37 anos, gestor comunitário e educador na área de saúde mental, que encanta a todos com sua abordagem singular à vida e suas aventuras pelo mundo.

Um Vida Multifacetada

Originalmente da Estônia, mais especificamente de uma aldeia cercada por florestas densas, e com uma infância marcada pela transição geopolítica da União Soviética para a independência, seu passado é repleto de contrastes. Hoje, ele se apresenta como um gestor de comunicação numa coligação nacional de saúde mental, além de escrever como jornalista freelancer e gerenciar o próprio pequeno negócio. Essa multifuncionalidade reflete uma vida intensa, com uma rotina que poderia facilmente ser esmagadora.

“A vida continua me tirando dos tatames. Mas eu sempre rastejo de volta”, confessa ele, resumindo sua relação com o Jiu-Jitsu. Após 12 anos dedicados ao esporte, com idas e vindas devido a lesões e compromissos, ele não se considera um talento natural, mas sim um lutador teimoso. Essa persistência e paixão pelo aprendizado constante o motivaram a experimentar os altos e baixos do Jiu-Jitsu.

Arte Marcial, Um Refúgio

Antes de mergulhar no mundo do Jiu-Jitsu, ele teve uma introdução a artes marciais por meio do Hokutoryu Ju-Jutsu. No entanto, logo percebeu que o Jiu-Jitsu se adequava melhor ao seu estilo. “Sentir-me melhor com o Jiu-Jitsu me fez entender que era a escolha certa para mim”, diz. Ele também fez um breve curso de MMA, mas rapidamente percebeu que preferia o grappling ao invés das trocas de socos e pontapés.

A paixão pelas Viagens

As viagens desempenharam um papel significativo em sua vida, muitas vezes por motivos de trabalho ou como forma de sobrevivência. Com a vida profissional exigente, ele encontrou no Jiu-Jitsu uma âncora que o ajuda a processar o mundo e as experiências vividas. “Treinar em lugares novos faz parte do meu processo de descoberta. Além disso, sim, o vício do Jiu-Jitsu é real!”, brinca.

Sua última viagem mais memorável ocorreu na Escócia, onde surpreendeu seu treinador favorito, Giles Garcia, em seu aniversário. A emoção no rosto de Giles ao vê-lo foi uma experiência que ele guarda com carinho. “Valeu cada quilômetro percorrido”, afirma. Sua rede de amizade cultivada através do BJJ Globetrotters é um ponto vital em sua vida, acrescentando uma camada de significado às suas viagens.

A Aventura e Seus Desafios

A natureza da viagem também apresenta desafios. Ele adora o caos que acompanha o deslocamento e o desconhecido: “Viajar me obriga a deixar ir, me adaptar e respirar. É o meu botão de reset”, explica. Contudo, nem todas as experiências são alegres. Durante sua estadia na Austrália, em 2014, ele vivenciou um dos períodos mais difíceis de sua vida. Após uma lesão séria, que resultou em uma perna quebrada, ele se viu em um hospital, sozinho e sem seguro de viagem.

A situação poderia ter sido desesperadora, mas um encontro inesperado com Deb, uma faixa roxa de 60 anos, trouxe um alívio cômico em meio ao caos. Ela sentou-se ao seu lado e começou a compartilhar fotos de lutadores. Essa interação, embora simples, teve um impacto profundo. “O apoio às vezes não é dramático, mas sim uma conexão humana inesperada em um momento de dificuldade”, reflete ele.

Retorno e Superação

Após uma extensa recuperação, que incluía cirurgias e meses sem poder andar, ele encontrou seu caminho de volta aos tatames. Quando finalmente ganhou uma competição em Melbourne, as emoções foram intensas. Embora geograficamente parecesse apenas uma medalha de faixa-branca, para ele representa uma vitória pessoal sobre os desafios enfrentados.

“Resiliência não é algo que pratico; é quem eu sou”, afirma, com um sorriso que reflete tanto a dor do passado quanto a alegria do presente.

Lições de Viagem e Conselhos

Com uma bagagem rica em experiências, ele compartilha conselhos preciosos para aqueles que também desejam explorar o mundo do Jiu-Jitsu e suas fronteiras. “Viajo com intenção. Não peço dinheiro emprestado para experiências nem uso cartão de crédito. Economizo, planejo e vivo a tranquilidade da viagem”, sugere. Embora budget seja um fator importante, ele não compromete o descanso e a qualidade do sono.

Com o Jiu-Jitsu como um elo comum, ele também aconselha: “Seja gentil. Sempre”. Para os que têm receio de viajar sozinho, ele garante que a experiência pode ser mais rica e profunda, incentivando a conexão que surge quando se está em ambientes novos.

Além disso, ele adverte sobre a importância do seguro de viagem adequado, especialmente para aqueles que praticam esportes de combate. “Leia as letras miúdas! Não confie apenas na sorte”, cautela ele, rindo da recordação de sua própria falta de planejamento.

Futuro e Convite

Enquanto olha para o futuro, ele admite que não tem certeza sobre o que vem a seguir. “A vida tende a me surpreender – às vezes de forma delicada, outras vezes com um armlock voador”, observa. Contudo, o que é inegável é sua paixão constante pelo Jiu-Jitsu e pela vida em movimento.

Ele conclui fazendo um convite especial para aqueles que desejam unir-se a ele em suas aventuras: “Venham para o Acampamento de Primavera em Tallinn! Temos tudo que você poderia querer: história, experiências curadas e uma bruxa não oficial do acampamento. Honestamente, o que mais você precisa?”.

A partir de suas experiências, fica claro que a jornada é tão valiosa quanto o destino. Com um coração aberto para novas experiências e a determinação inabalável de nunca desistir, este praticante de Jiu-Jitsu estoniano continua a ser uma fonte de inspiração para muitos.

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