Crise na Atos Jiu-Jitsu: Acusações de Má Conduta Sexual Provocam Colapso Organizacional
A situação em torno da Atos Jiu-Jitsu, uma das academias mais renomadas do mundo na prática do Jiu-Jitsu brasileiro, se transformou em uma crise intensa e multifacetada nos últimos dias. Iniciando-se com acusações isoladas contra o renomado atleta e fundador André Galvão, a série de alegações de má conduta sexual desencadeou uma onda de dissociação de atletas, academias e parceiros comerciais que culminou em um colapso significativo da estrutura organizacional da Atos.
Acusações de Alexa Herse
A controvérsia ganhou força quando Alexa Herse, uma ex-atleta da Atos que despontou no Jiu-Jitsu desde a infância, divulgou uma declaração pública acusando Galvão de assédio e agressão sexual. A denúncia de Herse não apenas chocou a comunidade do Jiu-Jitsu, mas também provocou uma série de reações de apoio e solidariedade, particularmente entre outras mulheres que se sentiram incentivadas a compartilhar suas próprias experiências. À medida que mais relatos emergiram, o tom da narrativa coletiva se tornou ainda mais preocupante, levando a uma crise de confiança sem precedentes na academia e no seu líder.
Embora as alegações não tenham resultado em condenação criminal até o momento da redação deste artigo, a gravidade dos relatos e a rapidez com que se espalharam levantaram sérias questões sobre a segurança e a ética no ambiente acadêmico da Atos.
Josh Hinger Rompe Relações
Um dos primeiros a tomar uma posição decisiva foi Josh Hinger, um ex-faixa-preta da Atos que foi treinador da equipe infantil por seis anos. Em uma declaração impactante, Hinger anunciou publicamente que romperia todos os laços com a Atos e Galvão, expressando que a proteção das crianças e das famílias era mais importante do que qualquer lealdade à organização. “A confiança no ambiente de treinamento deve ser prioritária”, disse Hinger, enfatizando seu apoio às velhas e novas vozes que começaram a emergir no movimento contra a má conduta.
A saída de Hinger não foi simplesmente uma decisão pessoal, mas uma reflexão sobre o impacto que a crise teve nas vidas de jovens atletas que estão sob a orientação do Jiu-Jitsu e em formação.
JT Torres e a Independência da Essential Jiu-Jitsu
Outro desfecho significativo na crise ocorreu quando JT Torres, bicampeão mundial do ADCC, anunciou que sua escola, a Essential Jiu-Jitsu, também se desvincularia da Atos. Embora tenha reconhecido a importância da Atos em sua trajetória pessoal, Torres foi enfático ao afirmar que um ambiente de treinamento seguro e responsável era uma prioridade inegociável. A Essential Jiu-Jitsu, assim como Hinger, agora funcionará como uma entidade independente, deixando para trás o legado da Atos.
Saídas em Massa de Atletas de Elite
Nos dias que seguiram as declarações de Hinger e Torres, o movimento de dissociação se intensificou, com vários outros atletas de destaque confirmando sua saída da Atos. Entre eles, figuras reconhecidas como Andy Murasaki, um notável competidor leve, Lucas Pinheiro, faixa-preta respeitado internacionalmente, e Bruno Frazzato, um veterano da equipe.
Essas saídas não apenas enfraquecem a capacidade competitiva da Atos, mas também destacam a crescente preocupação entre os atletas de elite sobre as implicações de permanecer associados a uma organização sob tal escrutínio público e alegações sérias.
Rompimento de Academias ao Redor do Mundo
À medida que as acusações se espalhavam, uma série de academias de Jiu-Jitsu, tanto nos Estados Unidos quanto internacionalmente, se manifestaram publicamente para romper vínculos com a Atos. Acadêmicas como Ilha Jiu-Jitsu, Lógica Jiu-Jitsu (dirigida por Kristian Woodmansee), Academia Legend Jiu-Jitsu, Alavanca e Coletivo Reno Jiu-Jitsu, entre muitas outras, publicaram declarações enfatizando a necessidade de segurança, responsabilidade e integridade como as principais razões para sua decisão de desvinculação.
Essa onda de rompimento não se limitou apenas aos indivíduos e academias, mas também abrangeu a estrutura de afiliados da Atos em várias regiões do mundo, mostrando a profundidade da crise que se instalou.
Saídas Significativas nos EUA e no Reino Unido
Entre as filiais que confirmaram sua separação estavam a Atos Miami e a Atos Reino Unido, ambas reconhecidas como algumas das filiais mais proeminentes fora da sede global. Suas saídas têm um simbolismo profundo, uma vez que representam não apenas uma ruptura institucional, mas também uma forte declaração de princípios éticos em um momento crítico.
Impacto na Austrália
Na Austrália, um número significativo de academias afiliadas à Atos anunciou sua saída de maneira coordenada, efetivamente desmantelando a presença da Atos na região. Muitos proprietários de academias, mesmo sem emitir comunicações formais, confirmaram publicamente a desassociação, indicando que essa tendência poderia se tornar um movimento ainda mais abrangente.
Pausa nos Patrocínios: Kingz Kimonos Suspende Apoio
Para aumentar o peso sobre a Atos, a Kingz Kimonos, um dos patrocinadores de longa data da organização, anunciou que suspendeu seu apoio tanto à Atos Jiu-Jitsu quanto a André Galvão, enquanto a situação é revista. Considerando a longa história de colaboração entre a Kingz e a Atos, essa pausa representa não apenas um golpe financeiro, mas também uma questão de reputação no universo do Jiu-Jitsu.
O Desmoronamento da Atos em Tempo Real
Em menos de 72 horas desde que as primeiras vozes de dissidência começaram a ser ouvidas, a Atos já contava com uma série desoladora de perdas:
- A partida do ex-treinador do programa infantil, Josh Hinger.
- A saída do bicampeão JT Torres, junto com sua escola.
- Um número crescente de faixas-preta de elite que optaram por sair.
- A desagregação de principais filiais regionais, como a de Miami e do Reino Unido.
- A totalidade da presença da Atos na Austrália foi praticamente liquidada.
- Um número crescente de academias nos EUA optou pelo feito.
Essa série de eventos levanta uma pergunta intrigante no mundo do Jiu-Jitsu moderno: quem ainda resta na Atos e há um futuro viável para a organização como uma entidade unificada e respeitada?
O Futuro Incerto da Atos Jiu-Jitsu
Até o fechamento deste artigo, a Atos Jiu-Jitsu ainda não havia emitido declarações significativas sobre a liderança ou sobre a necessidade de investigar as alegações publicamente. À medida que a crise se desdobra, a erosão da confiança está em curso em todos os níveis da organização. A capacidade da Atos de continuar a ser uma força dominante na cena do Jiu-Jitsu brasileiro permanece em estado crítico, com um futuro incerto que se desenha à frente.
Neste cenário de crise, o universo do Jiu-Jitsu, tradicionalmente visto como um espaço de camaradagem e aprendizado, agora enfrenta questões existenciais sobre segurança, responsabilidade e ética — valores que, por muito tempo, foram considerados o pilar dessa comunidade. O que começou como um conjunto isolado de alegações se transformou em um catalisador para mudanças que podem reestruturar a própria fundação do Jiu-Jitsu brasileiro como o conhecemos.


