Gordon Ryan, o ícone do jiu-jitsu, faz declarações polêmicas sobre Khabib Nurmagomedov e Khamzat Chimaev: Uma análise aprofundada
Gordon Ryan, frequentemente considerado o maior praticante de jiu-jitsu da história, gerou alvoroço na comunidade dos esportes de combate ao expressar opiniões controversas sobre dois campeões de MMA de renome: Khabib Nurmagomedov e Khamzat Chimaev. Durante uma entrevista concedida ao canal do YouTube "Overdogs", Ryan apresentou suas impressões sobre as habilidades de grappling de ambos, minimizando suas conquistas e o nível de técnica que demonstram nas lutas. A fala do lutador não apenas surpreendeu os fãs, mas também levantou debates sobre a dinâmica entre diferentes estilos de luta e as exigências das competições.
Ryan, que não competiu na temporada de 2025 devido a problemas de saúde, anunciou que planeja retornar às competições. Ele analisou as performances de Nurmagomedov, ex-campeão dos leves do UFC, e Chimaev, campeão dos médios, ressaltando que, a seu ver, o sucesso deles no MMA deve-se mais à incapacidade de seus adversários em lidar com a pressão de seu wrestling, quedas e controle no solo do que a uma real superioridade técnica. “O que eles estão fazendo é grappling de submissão para MMA,” afirmou Ryan, enfatizando a diferença entre suas habilidades de wrestling e as de verdadeiros especialistas em jiu-jitsu e luta greco-romana.
As declarações de Ryan reflectem uma crítica à percepção popular que ele considera equivocada. Em sua visão, tanto Khabib quanto Chimaev não seriam capazes de manter a mesma dominância em competições específicas de grappling, como o ADCC (Abu Dhabi Combat Club), um dos mais prestigiados torneios de jiu-jitsu do mundo. “Se você colocasse esses caras no ADCC, eles seriam derrotados com bastante facilidade,” afirmou. A crítica sugere que, embora ambos sejam formidáveis no contexto do MMA, em uma arena onde o controle e a finalização no solo são primordiais, eles enfrentariam dificuldades.
A Arte do Grappling no MMA
Sob a perspectiva de Ryan, o grappling de MMA é uma modalidade que difere significativamente do jiu-jitsu puro e do wrestling competitivo. Ele define o wrestling de submissão como uma abordagem em que um lutador consegue derrubar um oponente, controlá-lo no chão e infligir dano enquanto mantém o controle da luta. Essa estratégia tem sido a base do sucesso de muitos lutadores no cenário das artes marciais mistas, que, diferente das competições de grappling, exigem uma mescla de técnicas de golpe e submissão.
Ryan afirma que o que os lutadores como Khabib e Chimaev realizam é uma forma de grappling focada em MMA, mais orientada para garantir a vitória através de finalizações ou nocautes efetivos. "Eles têm a habilidade de acompanhar nas transições, fazendo com que os oponentes sejam forçados a carregar o peso do corpo, segurá-los no chão, derrubá-los novamente quando tentam se levantar e, na maioria das vezes, causar danos significativos com socos ou finalizá-los por cima,” explica. Essa abordagem, enquanto resulta em lutas de grande impacto e emoção, é percebida por Ryan como menos técnica em comparação com as excelências do jiu-jitsu puro.
A Carreira de Gordon Ryan
Gordon Ryan, aos 30 anos, já é uma lenda viva no mundo do grappling. Sob a tutoria do renomado treinador John Danaher, ele conquistou um extenso currículo em competições de jiu-jitsu, incluindo o impressionante feito de ser sete vezes campeão do ADCC. Ao longo de sua carreira, Ryan tem enfrentado e triunfado sobre alguns dos maiores nomes do esporte, como André Galvão, Craig Jones, Felipe Preguiça e Marcus Buchecha, solidificando sua posição como uma referência no jiu-jitsu contemporâneo.
É importante notar que o cenário do jiu-jitsu e do MMA é complexo e multifacetado. Enquanto Ryan se destaca pelo seu domínio no grappling, Khabib e Chimaev representam a evolução dos lutadores que combinam várias disciplinas para se destacar em um ambiente onde o jiu-jitsu é apenas uma das armas disponíveis. O sucesso de cada um desses atletas reflete a eficácia de suas estratégias dentro do contexto em que competem.
Reflexões sobre as Críticas de Ryan
A controvérsia gerada pelas afirmações de Ryan não é apenas uma questão de ego ou supremacia no esporte, mas ainda abre portas para uma discussão significativa sobre as diferenças entre disciplinas e a evolução contínua das artes marciais. Enquanto muitos defendem que a eficácia de um lutador deve ser vista em termos de seus resultados e conquistas, outros argumentam que a verdadeira medida de um atleta reside em sua habilidade técnica pura.
Khabib Nurmagomedov, por exemplo, é amplamente reverenciado por seu controle implacável e habilidade de dominar o jogo de pressão no chão, o que lhe permitiu conquistar vitórias sobre diversos adversários altamente qualificados, permanecendo invicto em sua carreira no UFC. Chimaev, com um estilo de luta agressivo e um grappling igualmente sólido, tem se estabelecido como um dos lutadores mais temidos da atualidade. O fato é que ambos têm uma abordagem que, embora distinta, provou ser extremamente eficaz no cenário das artes marciais mistas.
No entanto, a crítica feita por Ryan serve como um lembrete de que, mesmo em esportes que têm evoluído e se diversificado, o respeito pela técnica e pela tradição deve ser mantido. Para muitos puristas do jiu-jitsu, a habilidade de finalizar um oponente em uma luta de grappling pode ser vista como uma arte que transcende os meros resultados, colocando ênfase na maestria técnica e na filosofia subjacente das artes marciais.
O Papel do Jiu-Jitsu no MMA Moderno
À medida que o MMA continua a crescer em popularidade, a importância do jiu-jitsu na formação de lutadores se torna cada vez mais evidente. Muitos campeões mencionam a necessidade de uma base sólida em grappling para conseguir se destacar na octógono. Essa dinâmica levou a um aumento do número de lutadores que investem tempo e esforço no aprendizado do jiu-jitsu, não apenas como um meio de se defender, mas como um modo de se impor e dominar no solo.
Ryan, com suas declarações, reafirma a necessidade de diferenciação entre as várias disciplinas que representam o MMA. Mais do que uma simples crítica, suas palavras ecoam um chamado à reflexão sobre o valor do jiu-jitsu como uma arte por si só, que merece ser respeitada e reconhecida independentemente do cenário competitivo.
Considerações Finais
As declarações de Gordon Ryan sobre Khabib Nurmagomedov e Khamzat Chimaev não apenas provocam reações entre os fãs, como também instigam uma análise mais profunda sobre as relações entre as diferentes práticas no universo das artes marciais. Ao nos lembrar que o jiu-jitsu possui suas próprias regras e dinâmicas que não se aplicam necessariamente ao MMA, Ryan assegura que a discussão sobre o respeito técnico e a eficácia nas lutas deve continuar a ser um tema relevante entre praticantes e torcedores.
Enquanto figuras como Khabib e Chimaev reforçam a imagem dos lutadores de MMA contemporâneos, Gordon Ryan permanece firme em sua defesa da pura arte do jiu-jitsu, prometendo, na sua ausência temporária das competições, retornar com ainda mais fervor e compromisso. Essa dualidade entre práticas e filosofias não só enriquece o debate no cenário esportivo, mas também destaca o contínuo desenvolvimento das artes marciais à medida que elas evoluem para o futuro.


