Fabio Gurgel Revela Erros Comuns de Proprietários de Academias de Jiu-Jitsu e Como Evitá-los
Em um cenário em que a popularidade do Jiu-Jitsu continua a crescer globalmente, a gestão eficaz de academias dedicadas à essa arte marcial tem se tornado um desafio complexo. Apesar da paixão e do conhecimento técnico que muitos proprietários possuem, o sucesso financeiro e a manutenção dos alunos muitas vezes não acompanham esse entusiasmo. Em uma entrevista reveladora, o renomado mestre e empresário do Jiu-Jitsu, Fabio Gurgel, compartilhou insights valiosos sobre os erros recorrentes que têm levado academias de Jiu-Jitsu ao fracasso, especialmente na sua abordagem em relação aos alunos menos experientes.
O Desafio da Sustentação Financeira nas Academias
Manter uma academia de Jiu-Jitsu funcionando e, mais importante, lucrativa, exige um equilíbrio delicado entre qualidade de ensino, retenção de alunos e estratégias de marketing. Para muitos, a administração de uma academia pode parecer uma tarefa hercúlea, especialmente em um setor competitivo onde novas escolas surgem constantemente. Gurgel, que ao longo da década de 1990 viveu intensamente as transformações do Jiu-Jitsu no Brasil e fundou a equipe Alliance, uma das mais respeitadas do mundo, alertou sobre a importância de aprender com os erros alheios.
Um Erro Crítico: Foco Excessivo no Grupo de Competição
Um dos principais erros que Gurgel destacou é o foco excessivo que alguns proprietários têm em suas equipes de competição. Esta estratégia, embora possa parecer positiva para promover a excelência, frequentemente resulta em exclusão dos alunos que não têm interesse em competir, mas que desejam aprender a arte marcial de maneira recreativa.
“Se sua aula é estruturada de tal forma que você prioriza exclusivamente o grupo de competição, você acaba deixando de lado muitas outras pessoas que amariam aprender Jiu-Jitsu, mas que não conseguem acompanhar o ritmo cheio de pressão dos competidores,” afirmou Gurgel.
Esse fenômeno não é novo. Ao refletir sobre os anos 90 no Brasil, ele relembrou como diversas academias enfrentaram uma diminuição significativa na matrícula de alunos. Com a atmosfera competitiva intensa, iniciantes sentiam-se intimidados e desmotivados, resultando em salas de aula vazias e, eventualmente, na falência das academias.
Atualmente, Gurgel observa que um padrão similar pode ser visto em várias partes da Europa, onde as academias estão lutando para manter um fluxo constante de novos alunos devido à mesma abordagem exclusivista.
Repercussões de uma Abordagem Limitada
A exclusão de alunos recreativos não apenas significa uma diminuição imediata no número de praticantes, mas também restringe a possibilidade de descobrir novos talentos. Quando muitos aspirantes estão desmotivados a participar, o potencial para formar competidores de sucesso diminui drasticamente, uma vez que esses indivíduos nunca chegam a experimentar o ambiente que poderia levá-los a se destacar.
Além disso, essa abordagem pode gerar um clima negativo dentro da academia, onde a competição se torna uma barreira em vez de uma motivação. A insegurança entre os iniciantes potencializa o cenário, fazendo com que muitos desistam antes mesmo de realmente se apaixonar pela arte.
A Necessidade de Inclusão e Diversificação
Um conceito que Gurgel enfatizou é a importância de criar um ambiente inclusivo que promova a prática do Jiu-Jitsu como uma atividade recreativa, ao mesmo tempo em que oferece opções de competição para aqueles que estão interessados. Ele argumenta que essa abordagem dual não só ajudará as academias a diversificar sua base de alunos, mas também a fomentar uma cultura de camaradagem e respeito mútuo no tatame.
“O Jiu-Jitsu deve ser um esporte acessível a todos, independente do nível de habilidade. Se você não tem um sistema que aceite e nutra todos os tipos de alunos, você pode acabar privando sua academia de seu verdadeiro potencial,” afirmou.
Gurgel sugere que os proprietários de academias reavaliem suas estruturas de aula, buscando maneiras de integrar iniciantes e competidores em um ambiente de aprendizado comunitário. Para isso, seria interessante criar divisões nas aulas, com turmas que atendam a diferentes objetivos, permitindo que aqueles que desejam competir tenham seu espaço, enquanto os adeptos casuais também possam desfrutar de uma atmosfera menos tensa.
Lições para o Futuro
Os avisos de Gurgel reverberam em um contexto que vai além do Jiu-Jitsu. Ele expressa que o sucesso de uma academia está diretamente ligado à sua capacidade de se adaptar e evoluir, respeitando a diversidade do público que busca um espaço para praticar. A gestão consciente e inclusiva das academias pode ser o diferencial que faz com que um negócio sobreviva e prospere, independentemente das pressões externas do mercado.
O Papel da Experiência na Tomada de Decisões
A importância da experiência na tomada de decisões também foi ressaltada por Gurgel. Ele menciona que, ao longo de sua trajetória no Jiu-Jitsu, ele cometeu erros que moldaram sua visão sobre o que funciona e o que não funciona dentro de uma academia. O aprendizado contínuo e a capacidade de ouvir o feedback tanto de alunos quanto de outros profissionais são fundamentais para o ajuste de estratégias e metodologias.
“Minha filosofia sempre foi aprender com meus erros e abrir espaços para que outros também possam compartilhar suas experiências. Assim, todos podemos crescer juntos,” declarou o mestre.
Cuidando do Bem-Estar dos Alunos
Além de repensar a estrutura das aulas, é vital que os proprietários se preocupem com o bem-estar físico e mental de seus alunos. A inclusão de práticas de recuperação, como alongamentos, ioga e sessões de relaxamento, pode ajudar a melhorar a experiência do aluno, aumentando a retenção e promovendo um ambiente mais positivo e saudável.
O Futuro do Jiu-Jitsu
À medida que o Jiu-Jitsu continua a se expandir como uma modalidade em todo o mundo, os desafios de gestão se tornam ainda mais complexos. Gurgel acredita que a chave para o futuro dessas academias reside na habilidade de se adaptar e inovar, ao mesmo tempo em que respeita as raízes da arte marcial. Ele incentiva os proprietários a abraçar a transformação, aprendendo com os erros e não deixando de lado a essência do que torna o Jiu-Jitsu especial.
Com suas experiências e aprendizados sendo compartilhados, Fabio Gurgel se estabelece não apenas como um ícone do Jiu-Jitsu, mas também como uma fonte valiosa de inspiração e conhecimento para todos que desejam ter sucesso na administração de academias de Jiu-Jitsu.
Assim, os avisos do mestre Gurgel servem como um importante lembrete de que, para além das medalhas e títulos, o verdadeiro sucesso em uma academia de Jiu-Jitsu é medido pela capacidade de acolher novos alunos e criar um ambiente onde todos possam aprender e crescer juntos. A jornada para a excelência no Jiu-Jitsu deve ser inclusiva, desafiadora e, acima de tudo, acessível a todos.


