Belal Muhammad Critica Islam Makhachev por Escolha de Adversário na Primeira Defesa do Título dos Meio-Médios do UFC
O universo das artes marciais mistas (MMA) frequentemente nos oferece reviravoltas inesperadas, e o cenário atual da divisão meio-média do UFC não é exceção. Recentemente, o ex-campeão meio-médio Belal Muhammad levantou a voz em uma polêmica que aponta para uma questão crítica: a escolha de adversários na elite do esporte. Aprovado por muitos como um dos maiores lutadores de sua categoria, Islam Makhachev tomou o centro das atenções ao conquistar o título dos meio-médios, mas não sem suscitar controvérsias em relação aos seus próximos desafios.
No último UFC 322, realizado no mês passado, Makhachev garantiu seu segundo título no UFC ao derrotar Jack Della Maddalena por decisão unânime, num desempenho que muitos classificaram como uma das atuações mais dominantes da sua carreira. Essa vitória não apenas consolidou sua trajetória como um lutador de elite, mas também lhe conferiu uma nova responsabilidade: a defesa de seu cinturão recém-conquistado. Desde então, a atenção se voltou para quem será seu próximo oponente na categoria.
Diversos nomes foram levantados como potenciais desafiantes ao título, com Michael Morales e Shavkat Rakhmonov ganhando destaque por seus desempenhos recentes. Ambos têm demonstrado habilidades excepcionais dentro do octógono e são vistos por muitos como candidatos dignos ao título. No entanto, durante uma recente entrevista, Makhachev mostrou preferência pelo ex-campeão Kamaru Usman, o que gerou críticas e questionamentos, especialmente por parte de Muhammad, que acredita que essa escolha destaca uma preocupação com resistência e competitividade, objetos de grande discussão entre os fãs e profissionais do MMA.
Usman, amplamente reconhecido como um dos maiores pesos meio-médios de todos os tempos, vem de uma vitória sobre Joaquin Buckley no UFC Atlanta. Contudo, Muhammad, em uma análise mais crítica, sugere que a escolha de Makhachev não é a mais acertada, apontando que o desafiante não competiu regularmente nos últimos anos, apresentando um recorde de 1-3 nas suas lutas mais recentes. Para Muhammad, essa estatística ilustra que Usman poderia não ser a batalha mais desafiadora, divergindo da expectativa de um exame mais rigoroso para um lutador que ostenta um cinturão.
Durante uma de suas últimas aparições em seu canal oficial no YouTube, Belal Muhammad comentou sobre a atual situação da divisão dos meio-médios. Com uma eloquência característica, ele expôs suas preocupações sobre a escolha de Makhachev, afirmando: "Quando olho para a divisão dos meio-médios, sendo Islam o campeão, quem eu acho que merece? Quem eu acho que mereceu? Michael Morales com certeza mereceu. Mas vemos Islam plantando as sementes de Usman como o próximo cara. Obviamente, eles têm o mesmo técnico, e isso levanta suas questões."
A inseparável relação entre treinador e lutador fica ainda mais visível nesse contexto, com Muhammad insinuando que o técnico de Makhachev pode estar influenciando a escolha do adversário. "É um confronto que, na minha opinião, seria mais fácil para ele. O cara lutou apenas uma vez em três anos, ele tem 1-3… Você pode falar o que quiser, (Usman) recusou a luta, e eu não acho que isso deva justificar uma luta pelo título quando você diz não às lutas", acrescentou.
Muhammad sente que a escolha de Usman representa uma tentativa de evitar os desafios que outras figuras, como Morales, poderiam trazer ao octógono. "Chame-me de odiador, estou apenas olhando para a divisão de uma perspectiva diferente", continuou o ex-campeão. Para ele, a lógica é simples: um verdadeiro campeão deve ser desafiado por aqueles que estão em uma trajetória ascendente e não por adversários que estão em uma fase de queda.
"Se for Morales, acho que eu e Usman fazemos mais sentido. Eu queria essa luta, pedi, vamos ver se conseguimos”, concluiu Muhammad, sublinhando a frustração existente na divisão quando se trata do processo de seleção de adversários. Essa situação gera ainda mais tensão entre os lutadores, fanáticos e especialistas, levantando questões sobre como o UFC gere suas categorias e como as escolhas de adversários são realizadas.
A retórica aqui não é apenas sobre as habilidades dos lutadores; é, de fato, uma análise muito mais profunda sobre a política que envolve as escolhas dentro do octógono e as implicações de tais decisões na carreira de um lutador. A comunidade de MMA costuma ser intensa em suas opiniões, e o que pode parecer uma simples escolha de oponente, muitas vezes se transforma em uma onda de tensionamento que pode influenciar a trajetória de vários atletas no esporte.
Mais ainda, a expectativa em torno da próxima luta de Makhachev se intensifica à medida que a divisão dos meio-médios se agita, com cada proclamado desafiador buscando não apenas a oportunidade de brilhar em um evento do UFC, mas devido ao desejo de desestabilizar um atual campeão e ascender a novos patamares em suas carreiras.
À medida que novas lutas são próximas, o cenário se forma para uma eventual luta que possa dar sentido a toda essa discussão. Tanto Muhammad quanto Makhachev são protagonistas de um conflito que, mesmo que à primeira vista possa soar como uma simples dissensão, possui raízes mais profundas, refletindo a competitividade na divisão e o desejo de cada lutador em conquistar seu espaço de forma justa.
O UFC, por sua vez, tem a responsabilidade de manter não apenas a integridade de suas divisões, mas também de promover embates justos e desafiadores, que garantam que o verdadeiro campeão se estabeleça através de lutas legítimas, e não por decisões estratégicas que possam desvirtuar a essência do que as artes marciais mistas representam.
É claro que os fãs e analistas seguirão acompanhando as próximas decisões de Makhachev, enquanto o debate sobre quem realmente merece uma oportunidade pelo título dos meio-médios irá continuar. Essa controvérsia não apenas enriquecerá as discussões entre os apaixonados por MMA, mas também moldará o panorama e o futuro da divisão meio-média no UFC. Agora mais do que nunca, resta saber como Makhachev e sua equipe responderão a essas críticas, e quem realmente cruzará o octógono na tão aguardada primeira defesa de título.


