Faixa Preta em Jiu-Jitsu e Judô Compartilha 5 Lições Essenciais sobre a Gestão de um Dojo que Poucos Conhecem

Faixa Preta em Jiu-Jitsu e Judô Compartilha 5 Lições Essenciais sobre a Gestão de um Dojo que Poucos Conhecem

O Legado de Shintaro Higashi: A Arte do Dojo e os Fatores de Sucesso nas Artes Marciais

No vasto universo das artes marciais, poucos nomes são tão respeitados e reverenciados quanto o de Shintaro Higashi. Com uma trajetória construída ao longo de décadas, Higashi não apenas se firmou como faixa-preta de judô e jiu-jitsu, mas também como uma autoridade em gestão de academias de artes marciais. E, em um revelador vídeo recente publicado em sua conta no YouTube, ele compartilhou cinco lições fundamentais que, segundo ele, podem determinar se um dojo prospera ou se afunda lentamente na mediocridade. O contexto de sua vida, suas experiências e o ambiente do seu trabalho refletem o compromisso inabalável com a tradição e inovação nas artes marciais.

Uma Vida Dedicada às Artes Marciais

Shintaro Higashi nasceu em meio a um ambiente que o moldou para ser um verdadeiro mestre nas artes marciais. Seu pai, um renomado praticante, fundou o Instituto Kokushibutō em Nova York em 1963, estabelecendo as bases para o ensinamento e difusão dessas práticas no Ocidente. Desde então, a história de Higashi é marcada por uma imersão contínua em um universo que vai muito além das competições e medalhas.

Hoje, ele se dedica não apenas a ensinar, mas também a prestar consultoria a academias em todo o país. A perspectiva dele é rica em insights sobre o que verdadeiramente faz um dojo funcionar e prosperar, muitas vezes desafiando as convenções tradicionais que cercam o mundo das artes marciais.

As Cinco Lições Fundamentais

Em seu vídeo, Higashi expôs cinco lições que, segundo sua experiência, podem ser determinantes para o sucesso de um dojo. Cada uma delas reflete suas vivências e observações acumuladas ao longo de anos.

1. O Foco na Experiência do Aluno

A primeira lição que Higashi compartilha é desconcertante para aqueles que estão obcecados por conquistas e medalhas. Segundo ele, a maioria das pessoas que se inscreve em um dojo geralmente não está interessada em competir ou em prêmios:

"90% das vezes as pessoas não se importam com isso. A pessoa entra e a primeira coisa que queremos saber é como ela está. Se ela tem experiência prévia em artes marciais, o que esperam desse espaço. Essa abordagem acolhedora é o que faz a diferença."

Higashi acredita que um ambiente amigável e receptivo é crucial para que novos alunos se sintam à vontade e motivados a retornar. Esse entendimento transcende a mera técnica de ensino; trata-se de criar um laço emocional com os alunos, algo essencial para a longevidade de qualquer instituição educacional.

2. A Primeira Responsabilidade: Segurança

A segurança é a segunda prioridade de Higashi. Ele não hesita em mencionar que o proprietário do dojo é o responsável final pelo bem-estar dos alunos. Se um aluno se machucar, a responsabilidade recai sobre os ombros do dono da academia:

"Se alguém romper um ligamento cruzado anterior naquela academia, a culpa é sua, o dono do dojo. Quando as pessoas têm medo de se machucar, elas não vão voltar."

Esse alerta revela uma realidade muitas vezes ignorada em academias, onde a pressão por competição acaba sobrepondo a segurança dos indivíduos. Higashi enfatiza que sua prioridade é garantir que ninguém saia machucado, reforçando que um dojo seguro forma um ambiente de aprendizado saudável.

3. A Importância da Limpeza

Outra lição vital compartilhada por Higashi é a da limpeza e higiene dentro do dojo. Para ele, a limpeza não é apenas uma questão de estética; está intimamente ligada à saúde e ao bem-estar dos alunos. Ao contratar faxineiros profissionais semanalmente e implementar regras rígidas de higiene, ele estabelece um padrão elevado que deve ser seguido por todos:

"A limpeza é fundamental. Se eu vejo algo errado, chamamos a atenção publicamente para garantir que todos saibam que a higiene não é opcional."

Esse compromisso com a limpeza não apenas protege a saúde dos alunos, mas também demonstra um profissionalismo essencial no funcionamento de qualquer dojo.

4. Redefinindo a Competição

Na sua quarta lição, Higashi desafia a obsessão pela competição que permeia o mundo das artes marciais. Ele enfatiza que, mesmo nas academias mais renomadas, apenas uma fração dos alunos está realmente interessada em competir:

"O judô é para todos. Você deve ser inclusivo. Ensine a todos e a qualquer um como praticar judô e como amar essa arte. O foco deve ser tornar a experiência divertida e enriquecedora."

Esse enfoque inclusivo atrai um público mais amplo e diversificado, promovendo não apenas a prática das artes marciais, mas também uma comunidade solidária onde todos se sentem valorizados, independentemente de suas intenções competitivas.

5. A Polêmica das Taxas para Faixas-Preta

Por fim, Higashi toca em um tópico frequentemente delicado: a questão das taxas para faixas-preta. Em sua trajetória, ele percebeu que as vozes críticas, que afirmam que membros não pagantes prejudicam os alunos que pagam, podem ser inadequadas e contraproducentes para a comunidade de artes marciais:

"Depois de ouvir alguém questionando meu modelo de negócio, mudei minha perspectiva. Agora, eu insisto em pagar minhas próprias taxas. Se não aceitarem essa redução na taxa, eu vou embora."

Neste comentário, ele destaca um princípio de equidade e mutualidade, assegurando que todos os membros, independentemente de sua faixa, possam ter acesso ao treinamento e enriquecimento sem barreiras financeiras.

Conclusão: O Caminho para um Dojo de Sucesso

A visão de Shintaro Higashi para o sucesso em um dojo é um chamado à ação para proprietários e instrutores de artes marciais ao redor do país. Suas lições não apenas refletem uma sabedoria antiga, mas também uma compreensão moderna de como construir uma comunidade forte e inclusiva.

As gerações de alunos que passaram por seu dojo têm se beneficiado de um ambiente acolhedor, seguro e limpo, onde a competição é vista como uma das muitas formas de desfrutar da arte marcial, e não como a única. O legado de seu pai agora vive sob a supervision protecionista de Higashi, que não apenas preserva a tradição, mas também traz inovação e reflexão crítica a um mundo que está sempre em evolução.

À medida que o Instituto Kokushibutō continua a prosperar sob sua liderança visionária, o apelo de Higashi vai além das paredes do dojo. Suas lições têm o potencial de reverberar pela comunidade das artes marciais em todo o país, lembrando a todos que o sucesso não é apenas medido por troféus e medalhas, mas pela saúde e felicidade dos alunos que cruzam as portas de um dojo a cada dia.

Deixe um comentário