Tom DeBlass Lança Alerta sobre o Tratamento das Mulheres no Jiu-Jitsu: “Evite Ser Esse Cara”
02 de maio de 2026 | Por: Administrador BJJEE1
No cenário competitivo e técnico do Jiu-Jitsu, onde o respeito e a camaradagem são fundamentais, a forma como tratamos os novos praticantes merece atenção, especialmente quando falamos da inclusão feminina. Recentemente, o renomado lutador e instrutor Tom DeBlass provocou um debate importante ao compartilhar em suas redes sociais uma mensagem direcionada à comunidade das academias de Jiu-Jitsu sobre um comportamento que, segundo ele, precisa ser urgentemente reavaliado.
Enfoque na Inclusão Feminina
DeBlass, conhecido não apenas por suas habilidades no tatame, mas também por sua postura ética e social, enfatizou que seu foco não deveria estar nas técnicas ou nas competições, mas sim na maneira como as mulheres são tratadas nas academias. Ele trouxe à tona um comportamento comum que, embora possa parecer inofensivo à primeira vista, carrega uma carga de desconforto e potencial desrespeito.
"Nós, como comunidade do Jiu-Jitsu, precisamos reconhecer que a dinâmica de gênero nas academias ainda possui obstáculos significativos", declarou DeBlass em um post que rapidamente ganhou atenção viral. “Quando uma nova mulher entra na sua academia, não há necessidade de enviar uma mensagem para ela, imediatamente após a aula, elogiando seu desempenho. A ideia de que isso é uma forma de encorajamento pode, na verdade, ser vista como um comportamento intrusivo”.
Reflexão Crítica sobre o Comportamento Masculino
O treinador fez um chamado à reflexão, desafiando a lógica por trás desse tipo de interação. "Você envia mensagens a todos os novos faixas-brancas independentemente do seu gênero? Você elogia cada homem com quem rola? Se a resposta for não, então por que a sensação de obrigação apenas para as mulheres?", questionou. Ele destacou a importância de tratar todos os praticantes com o mesmo respeito e consideração, independentemente do gênero.
Este tipo de comportamento, segundo DeBlass, acaba perpetuando uma cultura que desestabiliza a inclusão feminina no esporte. "Esse tipo de comportamento pode desencorajar mulheres a se sentirem confortáveis no ambiente das academias", avisa. "É de suma importância que criemos espaços acolhedores, onde os praticantes se sintam motivados a participar sem que esses microcomportamentos minem a confiança delas".
O Impacto da Cultura do Jiu-Jitsu
Os comentários de DeBlass geraram discussões calorosas não apenas entre praticantes de Jiu-Jitsu, mas também entre os admiradores do esporte em geral. A prática do Jiu-Jitsu tem sido vista como uma ferramenta de empoderamento, especialmente para mulheres, que muitas vezes enfrentam resistência em ambientes predominantemente masculinos. Professoras e praticantes mulheres frequentemente têm que lutar não apenas contra os adversários, mas também contra estigmas sociais que fazem com que a atitude de alguns homens sejam vistas como protetoras, mas que podem soar como paternalistas.
O Jiu-Jitsu é um esporte que, em diversas situações, se destaca pela filosofia que prega o respeito e a humildade. O ensinamento de que todos são iguais em um tatame deve ser traduzido em ações concretas. DeBlass se posiciona nesse sentido ao afirmar que a busca por igualdade deve estar no cerne da prática diária. "O simples ato de tratar as mulheres da mesma maneira que você trataria e se comunicar com seus colegas homens é um passo em direção a uma cultura mais inclusiva".
Testemunhos de Mulheres no Jiu-Jitsu
Diversas praticantes de Jiu-Jitsu têm se manifestado nas redes sociais, apoiando a declaração de DeBlass e compartilhando suas próprias experiências. Muitas relataram que elogios e mensagens de ‘bom trabalho’ muitas vezes são percebidos como uma tentativa de chamar atenção, em vez de um verdadeiro reconhecimento do esforço e competência no que reflete no desempenho técnico.
Uma faixa-preta de Jiu-Jitsu, por exemplo, comentou: "Quando comecei, não via a hora de aprender, mas me incomodava com algumas interações que não eram realmente sobre a técnica. O apoio deve ser genuíno, mas também deve respeitar nossos limites e espaço pessoal".
O Que Pode Ser Feito?
Para promover uma cultura mais positiva e respeitosa dentro das academias de Jiu-Jitsu, é necessário que as comunidades de treinamento se unam. DeBlass sugere que os atletas convirtam suas boas intenções em ações claras. Por exemplo, os instrutores devem proporcionar ambientes onde todos os praticantes, independentemente do gênero, tenham oportunidades iguis de treinamento e competição. Além disso, é necessário que os membros da academia façam um esforço conjunto para entender os impactos de suas palavras e ações.
Mudando a Narrativa
A prática do Jiu-Jitsu deve ser um espaço de crescimento e aprendizado. A mudança não acontece da noite para o dia, mas começa com pequenas ações cotidianas. Ao promover uma cultura de respeito e inclusão, cada atleta tem o poder de mudar a narrativa. Esse esforço conjunto pode abrir caminhos para um melhor entendimento e uma verdadeira camaradagem no tatame.
Em conclusão, o chamado à ação de Tom DeBlass ressoa com a necessidade premente de revisar e reestruturar as normas sociais presentes nas academias de Jiu-Jitsu. "Não seja esse cara" não é apenas um apelo para os homens, mas um convite a todos os praticantes que desejam ver uma alma inclusiva e respeitosa no Jiu-Jitsu. Assim, podemos todos contribuir para a formação de um ambiente onde mulheres e homens possam treinar lado a lado, crescendo e evoluindo juntos — não apenas como lutadores, mas como seres humanos que se respeitam e se apoiam. Essa é a verdadeira essência do Jiu-Jitsu.


