Cris Cyborg e Valentina Shevchenko Reagem a Ataques de Ronda Rousey: Uma Rivalidade Que Persiste no Tempo
O mundo do MMA tem sido palco de rivalidades intensas e, por vezes, controversas, mas a disputa entre Ronda Rousey, Cris Cyborg e Valentina Shevchenko é uma das mais notórias e duradouras. Na última terça-feira (10), em Los Angeles, durante uma coletiva de imprensa promovida para anunciar seu retorno aos octógonos em um evento na Netflix contra Gina Carano, Rousey desferiu ataques contundentes a suas rivais. As reações de Cyborg e Shevchenko, que não tardaram a surgir, oferecem uma nova perspectiva sobre a antiga rivalidade e revelam o impacto dessa dinamicidade no cenário atual do MMA.
O Cenário
Ronda Rousey, uma das lutadoras mais icônicas da história do esporte, viu seu retorno à competição gerar uma onda de atenção. Contudo, sua estratégia de marketing pessoal na coletiva de imprensa levantou polêmicas, especialmente com suas declarações sobre Cris Cyborg e Valentina Shevchenko. Ao criticar a remuneração no UFC, Rousey não hesitou em insinuar que algumas lutadoras, como Valentina, recorrem a plataformas digitais, como OnlyFans, para complementar seus rendimentos. “É por isso que campeãs como Valentina estão vendendo fotos dos seus seios no OnlyFans”, disse Rousey, exacerbando ainda mais a já tensa rivalidade.
Esses comentários, claros ataques pessoais, não foram bem recebidos por Cyborg e Shevchenko. Ambas as lutadoras são consideradas lendas do esporte e têm uma trajetória repleta de conquistas e superações. A possibilidade de ver as três atletas interagindo novamente em um octógono surge como uma questão que fascina os fãs e os críticos do MMA.
As Réplicas: Cris Cyborg e Sua Defesa
Cris Cyborg, por meio de suas redes sociais, não hesitou em responder. Em um dos seus comentários, a brasileira expressou sua disposição para um confronto direto com Rousey, duvidando da coragem da lutadora em confrontá-la cara a cara. "Ronda, você não teria coragem de me xingar frente a frente", escreveu Cyborg, adicionando que sua reputação como "trapaceira" era infundada.
Cyborg também trouxe à tona questões de seu passado, mencionando seu teste positivo para substâncias proibidas em 2011, um evento que ela considera ter acontecido em um contexto muito diferente do que o MMA é hoje. “Tive um teste positivo para substâncias proibidas em meus 21 anos de carreira. Era um mundo diferente naquela época, e eu nem falava inglês”, afirmou.
Ela relembrou que sua punição serviu como um aprendizado que a motivou a se tornar uma defensora da transparência e da educação sobre o uso de substâncias para lutadores mais jovens. “Provei que sou uma atleta limpa. Utilizo minha própria experiência para orientar atletas mais jovens sobre a importância de saber o que você coloca em seu corpo”, completou.
Nas palavras de Cyborg, a rivalidade com Ronda é uma questão de caráter: “Você dirá todas as coisas maldosas do mundo, mas não lutará comigo”, insinuando que Rousey pode preferir o conforto da mídia e das redes sociais a um contato direto e físico com suas oponentes.
Valentina Shevchenko Entra na Dança
Por sua vez, Valentina Shevchenko também não ficou em silêncio. Utilizando sua conta oficial no ‘X’, a quirguistanesa destacou que os comentários de Rousey demonstravam uma mentalidade ultrapassada, lembrando do nocaute contundente que Rousey sofreu contra Amanda Nunes, em 2015. “Ronda ficou parada no tempo”, comentou Valentina, enfatizando que o MMA e as lutadoras evoluíram significativamente desde então.
Shevchenko procurou desmistificar a polêmica do OnlyFans, apresentando a plataforma como uma nova forma de conexão entre lutadores e seus fãs. “Estamos em 2026. Lutadores usando o OnlyFans é apenas uma nova maneira de nos conectarmos com os fãs. Parece que Ronda dormiu muito desde sua última luta em 2016”, destacou a campeã.
A crítica de Valentina, além de ser incisiva, oferece uma visão de que a exploração de novos meios de renda não é algo que deve ser desmerecido, especialmente considerando os desafios financeiros enfrentados por muitos lutadores no MMA.
O Contexto da Indústria do MMA
A competição de MMA, especialmente sob a égide do UFC, se tornou uma indústria vibrante, mas nem sempre justa. Apesar de seu crescimento exponencial e da popularidade das lutadoras, ainda existe uma disparidade significativa nas remunerações dos atletas. Ronda Rousey, por exemplo, emergiu como uma das primeiras grandes estrelas femininas do esporte e, ao longo de sua carreira, foi uma defensora fervorosa da profissionalização e valorização das lutadoras. Contudo, suas críticas a colegas de profissão levantam questões sobre a solidariedade e o respeito entre atletas.
A reação de Cyborg e Shevchenko não apenas reafirma suas posições no esporte, mas também ilumina uma realidade que muitos na comunidade do MMA preferem ignorar: a necessidade de uma união entre as lutadoras para tratar das questões financeiras e de visibilidade no esporte. A luta por reconhecimento e dignidade dentro do octógono é uma batalha contínua que vai muito além das rivalidades pessoais.
Reflexões Finais
A troca de farpas entre Ronda Rousey, Cris Cyborg e Valentina Shevchenko é mais do que uma disputa pessoal; ela simboliza uma parte maior do panorama do MMA feminino. Enquanto elas se enfrentam em palavras, as questões subjacentes de igualdade e respeito no esporte se tornam cada vez mais evidentes.
O MMA, com sua natureza competitiva e muitas vezes brutal, também enaltece a força e a resiliência das mulheres envolvidas. Independentemente das provocações e rivalidades, a verdade é que todas estas lutadoras dedicaram suas vidas a um esporte que, mesmo com suas falhas, as elevou a patamares que nenhuma outra geração anterior poderia imaginar.
À medida que a história de cada uma se desenrola, uma coisa é certa: as rivalidades no MMA não são apenas lutas pelo título, mas narrativas que moldam a trajetória e o futuro das mulheres no esporte, ressaltando a força, a coragem e a determinação inabaláveis que elas representam.


