Tom DeBlass critica exclusividade do UFC no Jiu-Jitsu: “É inaceitável”

Tom DeBlass critica exclusividade do UFC no Jiu-Jitsu: “É inaceitável”

Mudanças no Jiu-Jitsu: UFC Impede Atletas de Competir no ADCC e Gera Repercussão no Mundo do Grappling

A comunidade de grappling está em ebulição após a revelação de Claudia Gadelha, ex-lutadora do UFC e atual comentarista, de que o Ultimate Fighting Championship (UFC) decidiu que os atletas contratados exclusivamente pela organização não poderão mais participar do Campeonato Mundial de Grappling (ADCC) após 2027. Este anúncio polêmico provocou reações instantâneas e intensas em todo o cenário esportivo, levando a um debate acalorado sobre a diretriz que pode impactar profundamente o futuro das competições de grappling.

Reação Imediata

Tom DeBlass, vice-presidente da área de grappling do ONE Championship, foi um dos primeiros a expressar publicamente sua indignação. Ele não hesitou em se manifestar, destacando que a decisão do UFC vai além da mera competição; trata-se de um ataque direto a um dos eventos mais prestigiosos do mundo do Jiu-Jitsu. Segundo DeBlass, o ADCC é, em sua essência, o "nosso Olimpíadas" e proibir os atletas de buscarem oportunidades neste evento significa negar-lhes uma chance de conquistar um dos maiores títulos da modalidade. "O que sinto sobre isso é que é terrível", desabafou DeBlass, evidenciando a gravidade da situação.

O ADCC, ou Abu Dhabi Combat Club, é amplamente reconhecido como o campeonato de grappling mais importante do mundo, atraindo os melhores talentos da luta por submissão de diferentes partes do globo. A competição, que acontece a cada dois anos, é um verdadeiro testamento da habilidade técnica e resiliência dos atletas, e o acesso a tal plataforma é visto como uma honra e uma oportunidade vital para qualquer grappler.

Um Diferente Paradigma

DeBlass também enfatizou as diferenças fundamentais entre o grappling e as artes marciais mistas (MMA), notando que os atletas de grappling têm a chance de competir com maior frequência do que aqueles envolvidos em lutas de MMA. "Os grapplers têm a oportunidade de competir todas as semanas", afirmou. Ele mencionou como, sob sua gestão no ONE Championship, os lutadores têm liberdade para participar de diversos eventos, incluindo CJI, WNO e Polaris, contanto que informem à organização antes de aceitarem um combate, desde que não ocorra dentro de um intervalo muito próximo de uma luta já agendada.

Essa flexibilidade é um fator crucial para a carreira de um atleta, permitindo que eles aprimorem suas habilidades e ganhem experiência em diferentes condições e formatos de luta. A falta dessa liberdade, devido às novas regras do UFC, foi imediatamente identificada por DeBlass como uma limitação injusta.

Um Chamado à Liberdade

Em um discurso mais provocador, DeBlass deixou claro que os lutadores que estão considerando suas opções devem saber que o ONE Championship não irá restringir suas carreiras. "O que você está recebendo de mim é uma promessa de que não iremos prendê-lo onde você não possa competir em lugar nenhum", prometeu. A mensagem é clara: no ONE Championship, a prioridade é o bem-estar e a liberdade dos atletas, que devem ter a opção de perseguir oportunidades em qualquer lugar, seja no ADCC, na IBJJF, WNO ou Polaris.

Esta postura vai ao encontro de um desejo crescente dentro da comunidade do Jiu-Jitsu de que os atletas sejam tratados com a dignidade e o respeito que merecem, podendo explorar todas as avenues disponíveis para se aprimorar e se desenvolver dentro do esporte.

O Impacto na Comunidade de Grappling

A decisão do UFC de restringir a participação de seus atletas em competições de grappling levanta questões mais amplas sobre a natureza do esporte e a autonomia dos atletas. A proibição alimenta um debate controverso acerca das decisões comerciais que podem afetar negativamente a carreira de lutadores que desejam competir em sua modalidade favorita. Essa questão é particularmente relevante em um momento em que o Jiu-Jitsu e o grappling estão se expandindo rapidamente, aumentando a visibilidade e o reconhecimento do esporte em um cenário global.

Além disso, a medida pode afetar a preparação dos lutadores para competições internacionais, uma vez que a experiência adquirida em torneios como o ADCC é inestimável. Os lutadores frequentemente utilizam essas competições para ajustar suas habilidades técnicas e táticas contra os melhores adversários do mundo, algo que pode ser desconsiderado devido a uma abordagem monopolizadora do UFC.

Uma Comunidade em Mudança

À medida que a narrativas sobre a liberdade e as oportunidades dos atletas ganham destaque, a comunidade do grappling se uniu para debater as implicações dessa decisão. Muitos se perguntam se essa proibição não irá gerar uma divisão entre os lutadores e os promotores, efetivamente alienando um segmento significativo do esporte que tradicionalmente tem se beneficiado da diversidade de competição. Ao mesmo tempo, existe uma crescente preocupação com o poder que organizações como o UFC exercem sobre a carreira de seus lutadores, questionando até que ponto isso pode ser considerado justo ou saudável para o futuro do grappling.

Observadores do mercado estão atentos às reações de atletas, treinadores e fãs, que podem se manifestar em busca de um cenário mais equilibrado e inclusivo que permita a todos os grapplers seguir suas paixões, independentemente das restrições comerciais.

Em resumo, a proibição da participação de lutadores do UFC no ADCC reflete não apenas a dinâmica entre diferentes promoções de artes marciais, mas também os desafios que a comunidade de grappling enfrenta à medida que busca crescer e se desenvolver em um ambiente cada vez mais competitivo. Para muitos, este é um momento crítico para definir o futuro do grappling e a autonomia que seus atletas merecem. As palavras de Tom DeBlass ecoam não apenas entre os lutadores, mas ressoam em todo o cenário esportivo, ressaltando que o verdadeiro espírito do grappling deve estar centrado na liberdade e na competitividade em seu mais alto nível.

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