Grappling Moderno: A Disputa pela Submissão e a Questão dos Pontos
A vitória no grappling moderno não é apenas uma questão de somar pontos, mas sim de mostrar domínio técnico sobre o adversário. Com essa premissa, Fabrizio Forconi, coproprietário do Ocean BJJ Pro Championship, trouxe à tona um debate que promete ser acalorado no cenário das artes marciais: a distinção entre vencer por pontos e vencer por finalização. Essa discussão se torna ainda mais relevante à medida que o esporte se profissionaliza, com contratos exclusivos e regulações que podem impactar diretamente as próximas gerações de lutadores.
O Cenário Atual do Grappling
A luta por espaço nas competições de grappling tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. O surgimento de organizações com critérios específicos para a participação, como o UFC BJJ, que anunciou restrições sobre onde seus atletas podem competir a partir de 2027, traz à tona questões sobre a liberdade dos lutadores e o futuro do grappling. Forconi destaca que um organizador de eventos deve ser um facilitador de batalhas autênticas, e não um mero contabilizador de pontos.
Pontos vs. Submissão: Uma Questão de Identidade
Forconi, em um comunicado feito antes da temporada de 2026, não hesitou em afirmar: a vitória por pontos não pode ser considerada equivalente à vitória por finalização. “Ambas são vitórias, claro. Mas não possuem o mesmo valor, principalmente se um atleta está sempre buscando a finalização enquanto o outro se resguarda na defesa tática e na coleta de pontos”, enfatiza ele.
O Ocean BJJ Pro se apresenta como uma alternativa voltada não apenas para os números, mas para a filosofia de luta que prioriza a finalização. O formato da competição consiste em um circuito europeu que inclui Trials abertos, culminando em uma grande final. O evento se propõe a ser um espaço onde a intenção de finalizar é o principal foco, refletindo no sistema de pontuação que dá prioridade à busca pela submissão.
O Retorno ao "Vale Tudo"
Forconi também ressalta um aspecto que muitos podem considerar nostálgico mas que é, na essência, revolucionário: resgatar uma era em que os lutadores disputavam para provar quem era o melhor. “Por que ainda chamamos lutadores do Vale Tudo de ‘super-humanos’? Não é apenas uma questão de respeito, mas a busca pela verdadeira superioridade dentro do tatame”, argumenta. Essa reflexão aponta para o anseio da comunidade por um modelo onde a luta concreta prevaleça sobre o jogo estratégico que por vezes pode diluir as emoções do combate.
Esse retorno à essência do grappling moderno pode não apenas atrair velhos fãs, mas também conquistar novos adeptos que buscam acompanhar confrontos mais claros, onde a intenção de finalizar o adversário é palpável, não uma mera possibilidade.
O Contexto das Restrições
À medida que os contratos exclusivos se tornam a norma, a liberdade dos lutadores de participar de diferentes eventos fica comprometida. Essa situação tem suscitado um vívido debate dentro da comunidade de grappling e de artes marciais, onde muitos se perguntam até que ponto essa "segurança" vale o preço da liberdade criativa e competitiva.
“Ocean BJJ Pro não se resume a ser um torneio; é uma plataforma que visa desafiar as normas atuais que fazem com que muitos atletas se tornem cautelosos, evitando riscos em interesses de proteção narrativa”, destaca Forconi. Ele acredita que a crescente burocracia do setor pode esvaziar a paixão que motiva os atletas.
A Imagem Controverso de Forconi
Suas declarações não foram apenas provocativas, mas também polarizadoras. Ao afirmar que “se tudo que você quer é uma foto em um pódio meio vazio, procure outro lugar”, Forconi não deixa margem para dúvidas sobre sua visão de um grappling mais audacioso e menos complacente. Segundo ele, a busca por contratos de exclusividade é uma forma de se esconder do verdadeiro desafio.
“Entrar no Ocean BJJ Pro significa que você não tem medo de se afogar quando o tubarão decide arrastá-lo para baixo. Aqui, só entram aqueles que estão dispostos a lutar, a se arriscar”, conclui. Essa postura gera debates acalorados, com muitos vendo nela um marketing agressivo, enquanto outros a enxergam como uma reafirmação de valores em um tempo em que muitos atletas se questionam sobre sua relevância dentro do esporte.
O Futuro do Ocean BJJ Pro
O sucesso do Ocean BJJ Pro não se restringe a ser apenas um evento alternativo; ele possui a ambição de criar um novo ecossistema onde a busca pela submissão não é apenas uma expectativa estética, mas uma verdadeira necessidade imposta pelas regras do jogo. A organização promete recompensar a intenção genuína de finalização e tornar a vitória por pontos um cenário secundário.
Com a estrutura do circuito anunciada em seu site, o Ocean BJJ Pro oferece um caminho claro para atletas que não desejam ser sufocados por regras restritivas. A proposta é criar um ambiente em que mesmo aqueles que não são obsessivos por detalhes técnicos possam apreciar a luta e entender as dinâmicas do grappling.
Expectativas para 2026
Em 2026, o Ocean BJJ Pro terá a oportunidade de provar que suas ambições vão além de meras provocações. Para isso, será necessário garantir a presença de lutadores dispostos a abraçar essa filosofia e disputar combates que cativem tanto os fãs quanto a mídia. A capacidade de transformar promessas em ação será testada, e a comunidade do grappling estará observando de perto.
Conclusão
O Ocean BJJ Pro, sob a liderança de Fabrizio Forconi, busca redefinir o que significa competir em uma luta de grappling. Em uma época em que a busca por finalizações muitas vezes se perde entre a contagem de pontos, a proposta do Ocean pode ser exatamente o que muitos atletas e fãs precisam: um retorno ao verdadeiro espírito do combate. Cada luta se torna não apenas um teste de técnica, mas uma afirmação de coragem e autenticidade dentro do tatame. Assim, a expectativa para o futuro se intensifica, enquanto a comunidade aguarda ansiosamente por novos desdobramentos nesse cenário dinâmico.


