Recentemente, o Carnaval brasileiro, uma das festividades mais emblemáticas da cultura nacional, gerou uma controvérsia que reverberou além da passarela do Sambódromo. No desfile de 2026, a escola de samba Acadêmicos de Niterói apresentou um enredo que prestava homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora a proposta tenha atraído atenção, a ala que exibiu fantasias inspiradas em latas de conserva, com a frase "Família em conserva", gerou reações adversas, especialmente entre ícones do MMA (Mixed Martial Arts) brasileiro, como Vitor Belfort, Gilbert Burns e Edson Barboza, que expressaram indignação nas redes sociais.
O Desfile Polêmico
Os Acadêmicos de Niterói, uma escola que tradicionalmente tem buscado se destacar com enredos relevantes e que reflitam questões sociais e políticas, optaram por homenagear Lula em um momento em que o Brasil ainda se reestrutura após os desdobramentos de sua política recente. Entretanto, uma das alas do desfile, ao apresentar a crítica sobre a configuração familiar atual, chocou não apenas os lutadores mas também parte do público que se considera conservador.
O desfile atraiu olhares não apenas pela sua estética ou por seu enredo, mas também pelas potenciais interpretações que o público conservador atribui à alegoria proposta pela escola. Para muitos, a crítica à "família em conserva" atacava, de forma indireta, valores que ainda são considerados fundamentais por parte de segmentos da sociedade.
A Reação dos Lutadores
Vitor Belfort, ex-campeão do UFC, foi um dos primeiros a manifestar sua insatisfação. Em sua conta no Instagram, ele compartilhou uma arte que trazia uma imagem de uma família capturada dentro de uma embalagem com o selo de "validade indeterminada". Na legenda, Belfort argumentou que, apesar da associação negativa com a expressão "família em conserva", sua fé em Cristo garantiu que os valores verdadeiramente preservados não podem ser corrompidos pelo mundo. Esta declaração gerou uma série de reações de apoio e crítica nas redes sociais, refletindo a polarização das opiniões a respeito de valores familiares.
“A validade da família que serve a Cristo é indeterminada. Não podemos nos deixar ser corrompidos por esses ataques,” escreveu Belfort.
Em um contexto mais amplo, as declarações de Belfort não se restringem a um simples descontentamento; elas sinalizam uma preocupação com a representação da família brasileira e os desafios que ela enfrenta frente a um cenário cultural em transformação.
Gilbert Burns, outro gigantesco nome do UFC, compartilhou uma mensagem semelhante. Em um post visual considerando a "Família tradicional com princípios cristãos e bíblicos", Burns ressaltou que sua própria família segue a fé e princípios solidamente ancorados, além de educar seus filhos no respeito e amor a Deus. A imagem compartilhada por Burns apresentou uma crítica sutil, julgando a condição da "família em conserva" como um reflexo de uma sociedade que, em sua visão, perde importância ao culto aos valores tradicionais.
“A nossa família é um exemplo de vida e fé! Ensinar os filhos a respeitar e amar é o que importa,” declarou Burns em um tom de defesa ativa.
Edson Barboza, peso leve do UFC, não ficou de fora dessa discussão. O lutador também utilizou suas plataformas sociais para discutir a importância da família, publicando uma montagem na qual aparecia com sua família dentro de uma lata rotulada como “Família em conserva”. Barboza fez um apelo aos seus seguidores, incentivando-os a proteger aquilo que consideram mais valioso em suas vidas: suas famílias.
“Vamos lutar por aquilo que vale a pena, por nossas famílias. Essa é a verdadeira essência,” escreveu Barboza.
O Desfecho da Controvérsia
Para além das declarações dos lutadores, a resposta da Acadêmicos de Niterói não se fez esperar. Embora a escola tenha buscado capturar a atenção do público e transmitir uma mensagem crítica, ao final da apuração dos desfiles, o resultado foi frustrante. Com apenas 264,7 pontos, a escola terminou na última colocação do desfile, muito abaixo da campeã, Unidos do Viradouro, que obteve 270 pontos.
Essa discrepância de pontos levanta questões sobre o que realmente ressoa com a população e até que ponto a provocação se torna contraproducente em termos de aceitação pública.
Um Debate Mais Amplo
A controvérsia gerada pelo desfile da Acadêmicos de Niterói não toca apenas na esfera do MMA ou nos costumes pessoais dos lutadores, mas também propõe um debate mais amplo sobre a cultura familiar no Brasil contemporâneo. O que vemos é um reflexo das tensões sociopolíticas que permeiam a sociedade brasileira atual, onde questões relativas à família, fé e tradições se cruzam em um momento de intensa transformação.
Com personalidades influentes como Belfort, Burns e Barboza levantando a voz, a situação abre espaço para um debate sobre o lugar da família na sociedade moderna, sobre como as tradições estão sendo afetadas por novos pensamentos e sobre a necessidade de um diálogo construtivo entre diversas visões de mundo.
Considerações Finais
A resposta dos lutadores do UFC demonstra que, mesmo em um espetáculo de folia e descontração como o Carnaval, a política e questões sociais estão sempre à espreita, prontas para serem discutidas. O desdobramento dessa controvérsia, assim como a reação do público, é um testemunho vivo de como a cultura popular pode agir como um catalisador para debates urgentes e necessários. Enquanto isso, as Acadêmicos de Niterói, que se tornaram o epicentro de tal discussão, provavelmente refletirão sobre as consequências de seu enredo audacioso em edições futuras.
Em um Brasil onde o diálogo sobre a família, fé e valores é frequentemente polarizado, este episódio do Carnaval serve como um lembrete de que a arte, ainda que efêmera, é um poderoso espaço para a reflexão e a expressão de ideias que moldam a sociedade.


