Daniel Cormier Afirma que UFC supera o Boxe em Empolgação e Performance
O mundo das artes marciais e do boxe sempre esteve permeado de debates e rivalidades. Recentemente, a discussão ganhou novo fôlego com declarações do renomado lutador e ex-campeão do UFC, Daniel Cormier, que não hesitou em expressar sua opinião sobre a superioridade do Ultimate Fighting Championship (UFC) em relação ao boxe contemporâneo. O tema veio à tona após um diálogo entre o boxeador Shakur Stevenson e o lutador de MMA Joaquin Buckley, onde Cormier se posicionou de forma contundente, ressaltando que a organização de MMA oferece combates mais dinâmicos e emocionantes do que as lutas de boxe no cenário atual.
Cormier, que conquistou títulos na categoria meio-pesados (até 93 kg) e pesados (até 120,2 kg) do UFC, abordou suas considerações em um vídeo publicado em seu canal do YouTube. Ele aproveitou a oportunidade para rebatir Stevenson, que defendia a ideia de que o boxe é uma modalidade superior e única em sua essência. De acordo com o ex-lutador, as organizações de MMA, e em particular o UFC, não precisam adotar o modelo do boxe para se estabelecerem como referências no esporte. Ele declarou: “O UFC não precisa seguir os passos do boxe. A realidade é que não estamos vendo lutas marcantes hoje como víamos no passado”.
A dinâmica de competições em que os grandes nomes se enfrentavam, como nos gloriosos anos 70, 80 e 90, parece estar ausente na atualidade, tanto em um quanto em outro esporte, conforme pontuou Cormier. Ele mencionou figuras icônicas do boxe como Muhammad Ali e Mike Tyson, além de destacar os “quatro reis” do boxe — uma referência à era do entretenimento esportivo que envolveu lendas como Marvin Hagler, Tommy Hearns, Roberto Duran e Sugar Ray Leonard. “Nos dias de hoje, é raro ver eventos que se aproximem da grandiosidade dessas lutas históricas”, concluiu Cormier, reconhecendo a merecida saudade das rivalidades que costumavam fascinar o público.
O ex-campeão também fez uma crítica ao boxe atual, que, segundo ele, não tem conseguido promover confrontos tão emocionantes quanto os de épocas anteriores. “Simplesmente não é tão divertido”, disse Cormier sobre o boxe, ao mesmo tempo em que reitera seu amor pelo UFC. “O UFC é mais interessante, mais emocionante… Não estamos apenas lutando, estamos competindo por cada pedaço do meu desejo de triunfo. O UFC é, de fato, melhor”.
No coração da discussão estava a luta entre Canelo Álvarez e Terence Crawford, um combate que havia gerado grande expectativa entre os fãs de boxe. Apesar do hype, Cormier demonstrou uma certa decepção em relação ao impacto do evento, assim como as performances dos lutadores. Ele disse: “Embora tenha parecido um grande evento, honestamente, tem sido uma quimera. Nos eventos de boxe atuais, não estou vendo a mesma paixão por nocautes e troca de golpes que vi no passado”.
Cormier não apenas fez observações sobre suas experiências como atleta, mas também buscou se conectar com os aficionados por MMA e boxe. Ele sugeriu que o boxe contemporâneo carece de astros tão vibrantes e impactantes quanto os grandes nomes que marcaram época nas últimas décadas. Segundo ele, “quem é o grande astro desta geração? Não é tão divertido quanto antes”, lamentou Cormier, saudando a época em que cada luta parecia um evento monumental, tal como as produções que capturaram os holofotes em tempos passados.
Em sua análise, Cormier também se mostrou perplexo com a falta de ícones no mundo do boxe atual, reconhecendo que tanto o boxe quanto as artes marciais mistas têm seus méritos. No entanto, destacou que a inovação e o dinamismo das competições do UFC, com formas variadas de combate que incluem luta em pé e no chão, se traduzem em entretenimento puro, diferentemente do que muitas vezes se observa no ringue.
O vídeo em que Cormier discorreu sobre suas opiniões rapidamente ganhou relevância nas redes sociais, especialmente entre os entusiastas de lutas, que apreciaram a sinceridade e a paixão do ex-campeão ao discutir o estado atual do pugilismo. Nos comentários, os fãs do UFC acentuaram a ideia de que a modalidade se tornou mais acessível e inclusiva, atraindo novas gerações de praticantes e espectadores.
Neste contexto, a comparação entre UFC e boxe não se limita a uma simples questão de preferência pessoal. Refere-se a uma evolução nas práticas esportivas, um fenômeno que permeia diferentes gerações de atletas e promove uma constante reinvenção do entretenimento em combate. Cormier fez questão de ressaltar que, apesar das opiniões divergentes sobre a natureza dos dois esportes, a paixão que emanava nas lutas passadas ainda ecoa nos corações dos fãs e praticantes da atualidade.
Seja no octógono ou no ringue, a busca por lutas memoráveis e performances que desafiem as expectativas ainda vivencia um fervor que não pode ser ignorado. No entanto, cabe aos organizadores, agentes e até mesmo aos atletas encontrarem maneiras de reviver a grandiosidade que uma vez fez de muitos destes eventos experiências inigualáveis.
Para Cormier, o UFC não é apenas uma plataforma de competição, mas uma forma de arte, onde cada atleta demonstra habilidades multifacetadas que impressionam e entretêm o público. Ele concluiu, relembrando o papel fundamental da competição em si: “Quando as pessoas entram para lutar, não é apenas em busca de vencer; é sobre entreter, fazer o público se levantar das cadeiras e gritar”.
Em resumo, o debate levantado por Daniel Cormier traz à tona a necessidade de uma avaliação crítica sobre como os esportes de combate se apresentaram ao longo dos anos e quais direções podem tomar no futuro. À medida que a indústria esportiva evolui, questionamentos sobre o que realmente significa ser um lutador de elite seguem sendo centrais para a discussão. Está claro que a boa luta transcende os meros resultados e inclui o espetacular, o inédito e, acima de tudo, a emoção que captura a imaginação do público.


